segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Antes de degustar o vinho, saiba que tipo de degustador você é

Existem atos, atitudes e palavras plenas daquele fascínio que nunca sai de moda, mesmo que boa parte desses modos seja ligada à arte da degustação de vinhos. Na verdade, fico feliz que o interesse pela degustação se estenda a cada vez mais pessoas, mas fico um tiquim menos feliz com os personagens (muitas vezes monstros) que surgem assim que olfateiam a primeira taça. Seja numa degustação formal, numa simples happy hour num a importadora ou num wine bar ou na festa da "firma" (Piracicaban accent, please) com copos de plástico (ou isopor), fica claríssimo como o vinho é capaz de transformar um sujeito bacana num reles tipo figurativo (personagem, caricatura, como queira o amável leitor). Existe, no entanto, uma condição muito pior que a embriaguez, chamada "eno-paixão", condição hoje muito freqüente mercê da porcaria da Internet e dos (mais porcarias ainda) blogs de vinhos: a comunidade científica concluiu que ela pode desaparecer nos próximos vinte anos, quando a cerveja artesanal será consideradas a bebida nacional e os rótulos de vinhos serão usados em manifestações e marchas por igualdade de direitos. Agora, amável leitor, apresento-lhe uma lista dos personagens do mundo do vinho que cataloguei ao longo dos últimos onze anos, suas atitudes e alguns conselhos sobre como encará-los.


1. O técnico. Alfácio, fotógrafo de profissão, tentou certa feita fazer vinho na sua garagem: a acidez ficou tão acentuada que um famoso fabricante de pepinos em conserva quis comprar o barril inteiro, mas nosso bom Alfácio era muito orgulhoso para entender que aquilo não se tratava de vinho. Desde então, ele acredita ser um produtor melhor que os mais conceituados e afamados porque, ao contrário deles, não usou sulfitos e não consultou nenhum enólogo. Verdadeiro gênio da raça! Seja qual for o vinho que você beber na companhia dele, ele dirá que tem paladar químico. Conselho do Tio Andy: Procure um casal de velhinhos que morem pra lá da Caixa-Prego e pergunte se eles estão dispostos a hospedar um senhor que ainda acredita que coisa boa, de qualidade, só se faz em casa. Se estiverem dispostos, mandem o bom Alfácio para lá com passagem só de ida.


"Irmãos, aquelorum qui quiserenobis cafungatis..."
2. O barulhento. Couvélio, operário do vinho, acredita que sabe muito e que todos devem saber que ele sabe muito. Durante um evento de degustação lotado, todos percebem sua presença; quem não consegue vê-lo certamente o ouvirá. Ele olfateia a taça com tanta força que o deslocamento de ar chega a ser visível. No entanto, essa "narigada das galáxias" não lhe proporcionará grandes emoções porque o floral que ele sentirá ao nariz não será do vinho que ele tem em sua taça, mas do perfume da mocinha sentada duas cadeiras adiante. Conselho do Tio Andy: Não existe solução politicamente correta. Vire-se para o bom Couvélio com olhar ameaçador, mas sorrindo, e convide-o a pegar sua tacinha e sair de mansinho com uma frase do tipo "se para avaliar o aroma do vinho você faz esse puteiro salseiro todo, espero em Deus que você não espirre". Ele vai entender.


3. O "centrifugador". Que é necessário girar a taça para liberar os aromas do vinho, isso se ensina até na primeira aula da "Escolinha do Professor Raimundo", a.k.a. AB$. Mas sempre há o nosso amigo Broccolino, que gira a taça com vigor e velocidade ímpares, na certeza de que ganhará pontos na escala eno-nerdística. Eis que, então, ficamos diante de movimentos quase idênticos aos da centrífuga da máquina de lavar roupas programada para lavar tecidos sintéticos, provocando algo parecido com um tsunami na taça (e, às vezes, fora dela). Esse camarada, em geral, é do tipo que só escolhe um rótulo se este estiver acompanhado de um brasão de armas de tempos d'antanho. Conselho do Tio Andy: Em alguns casos, é melhor esquecer as boas maneiras. Se Broccolino se aproximar de você, faça-o beber direto da garrafa. Aí vamos ver o que e como ele vai girar. Talvez com um bambolê?

4. O verborrágico. Jamal el-Qiab fala, fala sem parar. Não dá para saber se o interesse dele é mesmo o vinho, porque ele religiosamente começa com uma questão relacionada ao terroir e termina contando causos da sua vida particular. O constrangimento dos circunstantes será astronômico, mas o verborrágico é umbigocêntrico demais para se dar conta disso. Não falha uma vez: sempre que alguém dá uma opinião, ele se mete e fala cinco vezes mais. Quando participa de uma apresentação de uma importadora ou vinícola, então, é pule de dez que ele vai falar mais que o palestrante. Conselho do Tio Andy: Em alguns casos, não dá para esperar muito. Mande-o calar a puta da boca.


5. O cabaço novato. Certa feita, ofereceram a Abobrildo uma taça de Krug e, daquele momento em diante, nada mais foi como antes. Ele começou a freqüentar todas as degustações que apareciam pela frente, sentava-se à mesa da frente ou na primeira fila, com um sorriso sorriso um pouco entusiasmado demais e o constrangimento de quem ainda sabe muito pouco. Procura fazer amizade com todos porque sabe que é bom para a imagem dizer que conhece degustadores veteranos, quiçá renomados. Só tem um probleminha: basta um sorriso na direção dele, e ele vai grudar que nem mancha de shoyu na roupa branca. Conselho do Tio Andy: Não se afaste dele. Vai que alguns novatos acabam se revelando melhores degustadores que as putas velhas os mais veteranos, não é mesmo? Converse com ele, mas mantenha a distância com frases do tipo "eu gosto de beber vinho sem que ninguém interrompa a minha degustação". Para bom entendedor…

6. O cara que conhece um produtor. Você organizava um after dinner naquele wine bar dos Jardins, e todos compareciam, inclusive Beterrábio. Beterrábio era um sujeito que gostava de beber bem e não se preocupava muito com os rótulos: o que importava era ter uma boa taça na mão e estar na boa companhia dos amigos. Um belo dia, Beterrábio conheceu um produtor de vinhos no casamento da sua prima Escarólia. O produtor lhe contou a fascinante história da sua vinícola e Beterrábio se tornou vítima do rótulo. Daquele momento em diante, deixava de existir garrafa melhor no mundo, não existia outro vinho: mais ou menos como aquela vez em que outro amigo, Cenourino, estava virando vegetariano. Conselho do Tio Andy: Dê a Beterrábio um sonífero do tipo "derruba-leão", leve-o a uma casa abandonada nos cafundós do Judas. Deixe-o dois dias sem beber vinho e, depois, dê-lhe uma taça de um vinho que você escolherá, desde que não seja daquele amigo produtor. Beterrábio aprenderá a entender o que realmente importa nesta porca vida.


7. O cara que sabe que não sabe, mas finge que sabe. Talvez esta seja a pior categoria. O cabra sabe que sua cultura vínica é escassa, mas adota o sistema "pegue e leve (sem pagar)". Funciona assim: Goiábio encontra um especialista para fazer algumas perguntas sobre o que estão bebendo e, depois, sai dizendo o que ouviu, em outro contexto, diante de pessoas que entendem menos ainda de vinho. Pena que as informações conseguidas por Goiábio do especialista dizem respeito a um Tannat uruguaio, não a um Szürkebarát (Pinot Gris) húngaro. Conselho do Tio Andy: Se Goiábio for chegando, diga-lhe para não beber nada ainda. E se ele pedir alguma explicação sobre o tinto que você tem na sua taça, responda que se trata de um suco de beterraba. Ele sabe muito pouco para entender a diferença.

E você, amável leitor, é (ou foi) qual dos sete personagens do mundo do vinho que descrevi aqui?

Dez frases para parecer um especialista em vinhos, ou "revelando os truques dos mágicos"

...and, oh, there's just like the faintest
soupçon of like asparagus and just a flutter
of a, like a, nutty Edam cheese...
[O MINISTÉRIO DA ENOPICARETAGEM ADVERTE: Artigo politicamente incorreto. Sua leitura por pessoas extremamente sensíveis pode causar irritação e butthurt. Nesse caso, recomenda-se a suspensão da leitura neste momento.]



Eles estão no meio de nós. Eles estão ao nosso redor. Em muitos casos, somos nós. Sim, estou falando dos sedizentes especialistas em vinho. 



Quem são? O que fazem essas mitológicas figuras metade gente, metade saca-rolhas? Seu habitat natural são as degustações (de preferência, bocas-livres e, se não forem, o importante é estarem  credenciados e ostentar o crachá de "profissional"). São vistos com a taça em uma das mãos, girando-a no modo "centrífuga" (pouco importa que o gás daquele riquíssimo Champagne vá para as picas), e com um caderninho na outra para fazer as anotações, ou mais modernamente, empunhando seus intimoratos smartphones com as versões mais recentes do aplicativo Vivino ou outros apps menos cotados. E não param de fotografar tudo quanto seja fotografável, publicando cada foto quase em tempo real em seus Facebooks, Twitters e Instagrams. Se todos fossem como eles, o Zuckerberg teria que "fechar a lojinha" por pura falta de espaço para armazenar tanta foto de garrafa e taça (sim, rivalizam em quantidade com as fotos de gatos). Sei que muitos amáveis leitores já vestiram a carapuça deste intróito até os tornozelos. No entanto, há amáveis leitores que têm uma baita inveja dessas criaturas e querem ser como elas. Não percam o sono, caros! Tio Andy, sempre pensando no seu bem-estar social, apresenta aqui um decálogo prontinho para uso, prêt à porter, turnkey, para fazer bela figura em feiras de vinho, degustações e importadoras. Não importa se seu interlocutor é um sommelier "diplomado" nos cursinhos rápidos (mas caros) que pipocam por aí. Provavelmente eles serão iguais a você. Ou piores.

"Este ano vai ser bom. Vamos produzir 200 garrafas..."
1. "Eu só bebo vinhos de pequenos produtores". Coisa boa e meritória é o "garimpo", a paixão por valorizar os artesãos do terroir. É pena que, entre um garimpo e outro, a sua taça seja habitada por um vinho produzido numa "fábrica de vinhos" que despeja no mercado milhões de garrafas por ano e, se pudesse, aplicaria napalm para acabar com as ervas daninhas, os insetos e os parasitas dos vinhedos. Mas você não pode sequer dar a impressão de ser cúmplice da grande indústria do vinho. Conselho do tio Andy: Mentir, mentir sem pudor, inclusive para si mesmo.

2. "Este vinho fede? Tem sabor de vinagre? Então, é óbvio que se trata de um vinho natural!". Isso não é verdade, mas muita gente gosta de pensar assim para justificar os defeitos de um vinho: vinhos cujo trabalho de vinha respeita o terroir e têm o mínimo indispensável de intervenção humana não são sinônimos de vinhos com defeito. Um vinho mal-acabado é simplesmente mal-acabado e ponto final, e de forma alguma devemos justificar falhas crassas. Mas o "movimento naturalista", além de tantas pessoas que acreditam nele e trabalham a sério para ele, colocou sob sua proteção tantos vinhos "improvisados" que eles viraram modinha. Conselho do tio AndyFecha um olho e as duas narinas.


3. "Sinta este vinho, é vinho de terroir!". Só que você não tem idéia de onde ficam os vinhedos, de qual é o clima da região, nem da composição geológica do terreno. Você só diz isso porque causa boa impressão. Pior, se for blogueiro de certa fama, tudo quanto é vinho vai virar, da noite pro dia, "vinho de terroir", e todos vão começar a falar de vinhos de terroir, mesmo que não saibam sequer onde ficam os vinhedos dos quais o enólogo produz o vinho. Todos vão virar um verdadeiro contra-rótulo ambulante. Conselho do tio Andy: Enche o tanque, compra uma passagem, e vai viajar.

4. "Eu só tomo vinhos de fermentação espontânea e sem sulfitos. Os outros fazem mal e cheiram a banana". Esta pendenga é mais velha do que andar de quatro, principalmente em relação aos vinhos brancos. Quem diz isso não sabe escolher nem música para o próprio casamento, quanto menos as leveduras: fecha com as naturais e despreza todas as outras. Para essa gente, pouco importa se, para produzir um vinho de fermentação espontânea e sem sulfitos, sejam necessárias competência, uma atenção enorme e um cuidado obsessivo para chegar de verdade a um resultado que tenha caráter e exponha as características do vinhedo e do terroir. E nem passa pela cabeça do amável leitor, nem por um milésimo de segundo sequer, que é possível conseguir isso inclusive com leveduras escolhidas a dedo, não é mesmo? Hoje em dia, até as "fábricas de vinho" gigantes fazem vinhos de fermentação espontânea e não acrescentam sulfitos. Não teria isso uma razão de ser? Conselho do tio Andy: Integrarás o potássio de maneira criativa, e jurarás morte à banana!


5. "Sinta que acidez! Este vinho vai longe!" A acidez, junto com o sal, é o novo grito de guerra dos vinhos que agradam às pessoas "bacanas". Vinhos com bocas vibrantes e não fazem concessões aos paladares "doces" e padronizados. Pena que, pouco depois, os encontramos mortos e enterrados, enquanto os vinhos equilibrados, com tudo encaixadinho no lugar certo, passam dando beijinho no ombro. Conselho do tio AndyEsquecerás o passado e chuparás o limão! (Esta é para pensar).

6. "Este vinho é bom, mas o de 1997 era muito melhor!" Primeira regra do Clube do Vinho: torcer o nariz para o amigo ou o produtor que lhe ofereça uma garrafa, mesmo que seja rara e preciosa. Segunda regra do Clube do Vinho. SEMPRE torcer o nariz para o amigo ou produtor que lhe ofereça uma garrafa, mesmo que seja rara e preciosa. Deixe claro que você já bebeu coisa melhor e tem mais "litragem". O vinho que você tem na taça pode ter n pontos, mas nunca tantos quanto o seu antecessor. Mesmo que o produtor ainda não tenha colocado suas garrafas no mercado, você já as conhece e já as degustou. Conselho do tio AndyJamais estacionarás o DeLorean em fila dupla.

7. "Eu só bebo vinhos de vinhedos autóctones". Ah, vá! Cê jura? O produtor diante de você está servindo o precioso líquido, produzido rigorosamente com uvas de videiras de pé franco (ou seja, sem enxerto), provenientes de um vinhedo que correu o risco de desaparecer. A conclusão óbvia é esta: mas se ele estava prestes a desaparecer, algum motivo deve haver (rimadinho e tudo). Em muitos casos, a operação de resgate do vinhedo vale mesmo a pena, mas em outros os resultados são discutíveis a ponto de lamentar um pouco de Merlot ou Chardonnay (ou de batatas, como queira) nesses vinhedos. “Autóctone é bom, autóctone é legal, autóctone é seeeeensacional”: muitos, inclusive este que vos escreve, concordam com isso, mas para tudo tem limite. É só não ficar bitolado. Conselho do tio AndyAo inferno as batatas.


8. "Peixe eu acompanho com vinho tinto". OK, mas que tinto? No entanto, você vocifera aos oito ventos que tem condições de ousar, pouco importa se o tinto que você tem em mente é um Sagrantino di Montefalco, com taninos capazes de derrubar um elefante vivo, e se o peixe é um linguado à belle meunière. O seu barato é desacreditar a clássica "regra de três" branco:peixe/tinto:carne. Mostre sua audácia nas harmonizações e alegremente arranque caretas dos pobrezinhos dos seus amigos que sabem menos de vinho. Eles lhe "agradecerão" assim que conseguirem abrir a boca. Conselho do tio AndyJamais verterás Barolo no aquário daquele peixe vermelho.

Agora, amável leitor, as duas últimas frases têm o potencial de abrir as portas dos infernos contra este magro blogueiro, mas não tema: meu macacão ignífugo está a postos. São dois uppercuts no queixo de muito blogueiro famosinho pela aí.

"Eu sou o cara!"
9. "Sou um blogueiro, famoso: conheço Fulano, colaboro com Beltrano, escrevo para Sicrano". Esta bate forte. Basta chutar uma lixeira na rua que saem uns dez blogueiros de vinho, um a mais, um a menos, não muda porcaria nenhuma. Aliás, enoblogueiro bom já nasce morto. Nesta frase, preste atenção aos papéis, que são bem definidos: Fulano costuma ser um produtor ou um enólogo de larga fama; Beltrano pode ser um dono de restaurante ao qual você presta sua preciosa consultoria para montar a carta de vinhos; Sicrano é um jornalista famoso (seja de site, de revista especializada, de jornal ou de televisão). Mas muita atenção para não falar muito alto, principalmente em eventos, feirinhas e feirões de vinhos: alguém que esteja perto pode ser um dos três personagens acima e desmenti-lo sem pejos diante da(s) pessoa(s) que lhe estão escutando de queixo caído. Seja discreto, quase silencioso e exagerado a não mais poder. Conselho do tio AndyNão darás bom-dia apenas a cavalo.


"Conta pra ele quem sou eu na ExpoVinis..."
10. "Fui o primeiro a descobrir essa vinícola. Ela deve a mim seu sucesso/seus prêmios". Seja arrogante, diga sem medo que você tem nome no mundo do vinho. Fale da visibilidade da festa que você deu, converse também com o próprio produtor, que ficará fascinado com essa oportunidade de ouro. Vanglorie-se da descoberta e do prêmio do produtor Fulano que, sem você, seria hoje um joão-ninguém. Conselho do tio AndyDizer "fui eu que inventei a Pinot Noir" pode ser um pouquinho exagerado.

Bem, Tio Andy deixa ao amável leitor um último conselho. Não é uma frase de efeito, mas está valendo: Não tem problema querer oxigenar o vinho na boca, mas evita aquele sonzinho de gargarejo da pia meio entupida. Sê mais discreto, se faz favor.

sábado, 8 de agosto de 2015

História da propaganda de vinhos brasileiros

Trago aos amáveis leitores uma lembrança da "Idade das Trevas" do vinho brasileiro (não que tenhamos saído dela, mas isso é outra história).

Este anúncio do Chateau Duvalier Tinto saiu na revista Placar de 19 de novembro de 1982 (na época eu tinha 11 aninhos só, nem vinho eu bebia...)

Vejam o texto. Chorem.

domingo, 2 de agosto de 2015

Etiqueta do vinho: o mínimo que você precisa saber para não ser um eno-ogro

Quando você não está no aconchego do lar (bebendo vinho naquela caneca do tipo "Melhor [insira sua categoria aqui] do mundo", é bom seguir algumas regras de etiqueta vínica. Etiqueta é uma daquelas coisas que, à primeira vista, parecem desnecessárias, mas é muito bom poder (ter como) recorrer a ela. Ela é a maneira visível de mostrar que, no fundo, você não é um ogro.

A etiqueta do vinho pode ser bastante útil em várias situações, entre elas:
  • Jantares de negócios
  • Reuniões com a família
  • Ambientes formais
  • Jantar romântico
Então, amável leitor, apresento agora nove dicas importantes com as quais você deve se familiarizar:


1. Segure a taça pela haste ou pela base. Pode parecer frescura ou "esnobice", mas esse é o padrão para segurar a taça por duas razões:
Aparência social: a taça não fica cheia de marcas de dedos engordurados.
Temperatura: A temperatura do vinho permanece correta por mais tempo.





2. Sinta o olfato do vinho, sinta o paladar, e pense no que sentiu.











3. Tente levar a taça à boca na mesma posição para evitar enchê-la de marcas desagradáveis.










4. Quando abrir uma garrafa de vinho, tente não fazer barulho, mais ou menos à la ninja. Não há nada mais cafona do que o espoucar da rolha.









5. Na hora do brinde, as taças devem se tocar pelo bojo (a parte mais saliente da taça). Tocar as taças pela boca pode fazer com que elas se quebrem, e o sputtaccio está feito. Ah, sim, e é de bom tom olhar nos olhos da pessoa com quem se está brindando.






6. Na hora de servir o vinho, segure a garrafa do meio para a base, e sempre deixe o rótulo à mostra para a pessoa que estiver sendo servida.









7. Encha a taça até menos da metade para que o vinho tenha espaço para respirar.












8. Tente manter a quantidade de vinho na sua taça mais ou menos igual à das outras pessoas ao seu redor.










9. Ofereça o vinho às outras pessoas antes de se servir de uma segunda dose.











Para encerrar, um truquezinho para os moços que vão ao restaurante com sua respectiva moça, ou mesmo em um grupo de amigos. Quando fizer a reserva da mesa, fale com o sommelier e já indique o vinho branco ou espumante que deverá ser servido assim que você chegar à mesa, antes mesmo que a moça ou seus amigos tenham a chance de olhar o cardápio. Sucesso garantido ou sua ogrice de volta!

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Como resfriar rapidamente uma garrafa de vinho

Está tudo pronto para aquele jantar agendado há semanas com seus amigos na sua casa: os preparativos na cozinha correram sem tropeços, a mesa está posta, enfim, tudo maravilhoso. Mas como a Lei de Murphy é implacável, todos os planos milimetricamente feitos saem dos trilhos por um pensamento: "E il viiiiinooooo????" (**).

Ele ficou lá, esquecido sabe-se onde na cozinha, fora de temperatura, sem condições de ser servido assim aos caros amigos. Como fazer, então, para esfriar rapidamente uma garrafa, evitando, assim, um tremendo papelão diante dos convivas? Nada de enfiar a garrafa no freezer, nem aquele truque de deixar correr aquela agüinha gelada marota do filtro. A solução é bem simples: basta uns cubos de gelo e um punhado de sal. Antes de continuar, porém, é necessário verificar se você tem à mão não apenas o gelo, mas também um balde para vinho (vulgo glacette), de preferência elegante para que possa ser levado à mesa. Assim, você poderá transformar uma tragédia de última hora num toque chique que com certeza agradará aos presentes.


RESFRIAR O VINHO - A PRÁTICA



O processo para resfriar uma garrafa de vinho é muito simples, mas também muito eficaz. A operação se fundamenta na clássica troca de energia na forma de calor entre a garrafa e o gelo, sendo acelerada pela ação da osmose, típica do sal. Vejam aqui os três passos essenciais:

1. Preparação: começa-se jogando dois punhados de sal no fundo do baldinho, rodeados por alguns cubos de gelo. Assim, cria-se uma espécie de apoio para a garrafa, para garantir que ela fique sempre no centro: Aquela posição da garrafa que vemos muito em restaurantes, numa inclinação de mais ou menos 50-60 graus, pode diminuir a velocidade do resfriamento, além de fazer com que ele não se produza de maneira uniforme.

2. Inserção: posiciona-se a garrafa no centro, com o sal que formará a base e os cubos de gelo que darão o apoio. Em seguida, os espaços vazios devem ser preenchidos com mais gelo, até chegar à extremidade do balde. É muito importante que o processo seja feito exatamente desse modo, pois com certeza é muito difícil tentar inserir a garrafa e manter seu equilíbrio se os cubos de gelo já estiverem colocados.

3. Ativação e tempo: para ativar, ou acelerar, o processo, podemos cobrir a última camada de gelo com um pouco mais de sal, mas sem exagerar na quantidade: um punhado é mais que suficiente. Então, basta esperar 10 minutos, e o vinho estará na temperatura ideal de serviço e, nesse momento, poderá ser transferido para um decanter para ser servido aos convidados, ou pode ser levado à mesa diretamente no balde (se ele for visualmente decente, bien entendu), caso você queira mantê-lo fresco por mais tempo.

A TEORIA



Agora, amável leitor, vou provar que, apesar de ter formação em Letras e coisa e tal, entendo bagarai de Física e Química. Sim, caros, sou um Renaissance man, um polímata.

Embora recorrer ao gelo para resfriar o vinho possa parecer banal, esse recurso é eficaz porque se apóia em processos químicos. Para derreter o gelo, é necessário retirar energia do entorno. Essa energia se manifesta na forma de calor, cuja fonte mais próxima é a nossa rica garrafinha.

Normalmente, a fusão (ou seja, a passagem da água do estado sólido para o estado líquido) não é muito veloz, pois há muitas varáveis em jogo, como a temperatura ambiente. E eis porque o sal é tão importante. Graças ao processo de osmose (ou seja, a capacidade natural de atrair líquidos para si), o sal diminui o ponto de solidificação da água, facilitando o derretimento a temperaturas abaixo do normal. É por isso que, no inverno dos países mais frios, costuma-se jogar grandes quantidades de sal nas ruas congeladas, para evitar a solidificação, ainda que a coluna de mercúrio esteja próxima de 0°C. Acelerando o derretimento, a troca térmica exigirá quantidades maiores de calor, resfriando o vinho com mas rapidez, salvando o jantar do amável leitor, portanto, de um vexame "vexaminoso".

Dica: o mesmo sistema pode ser usado para qualquer outro tipo de bebida.

(**) Essa frase exclamativa eu tirei deste trecho do filme Sicilia!, da dupla de cineastas Straub e Huillet. Assistam.


terça-feira, 21 de julho de 2015

Dez frases para parecer um especialista em cervejas

[ATENÇÃO: artigo politicamente incorreto] Convenhamos, amável leitor: você não entende porra nenhuma de cerveja. Você fez aquele cursinho de sommelier em seis aulas na AB$ (Associação Brasileira de $ommerdiers) depois do trabalho, e vai ao Eataly comprar coisas que nunca vai comer porque “bolacha com Nutella é melhor que molho de aliche”.

À noite, você vai aos lugares da "modinha" e fotografa os cardápios para decorá-los enquanto vai de metrô da Barra Funda a Itaquera e se fazer de expert com seus amigos, que te idolatram e te deixam convencido. Porém, um deles chega para você e diz “Olha, hoje à noite vamos tomar uma cervejinha naquele lugar que só tem cerveja artesanal, conhece?” Aí, meu camarada, fodeu! Se você não tiver um plano na manga, correrá o risco de um belo suicídio social.

Mas palma, não prie cânico, amável leitor. Tio Andy está aqui para ajudar: prepare uma cola com estas frases simples que farão todos acharem que você realmente entende de cerveja. Mas peço encarecidamente: não cague na retranca perguntando “Que IPA nova você tem?” de maneira "sedutiva" à garçonete de plantão.

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    O zitolibador* sem fronteiras: É boa, mas do jeito que eles bebem lá é outra coisa. Aqui você faz a trinca: é metido porque viaja, é competente porque foi à fonte,
    e é esperto porque ninguém no boteco sabe (será?) como é "lá"Mas atenção: isso vale só para distâncias acima de mil quilômetros.
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    O nostálgico: Antigamente era diferente. Essa frase lhe dará ares de alguém que vem de longe, mas esteja preparado para uma resposta a esta pergunta capciosa: “Em que sentido?
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    O bem informado: Ah, esta é a  nova da [cervejaria à sua escolha]. Frase útil para usar com desenvoltura, principalmente se você leu a VIP, Playboy, Gula ou GQ do mês na sala de espera do dentista.
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    O cínico: Talvez seja demais para você, você ainda não está preparado. Pode disparar esta à queima-roupa logo depois que o seu amigo disser “Mas como é essa Tripel belga?”. Cuidado, pois você pode ser obrigado a comprar uma para provar que é um "cervejeiro alfa".
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(*) Zitolibador é "bebedor de cerveja", bando de incultos incréus!