domingo, 5 de abril de 2015

The brewers must be crazy, ou "Os cervejeiros devem estar loucos", ou ainda "Tripel Shit"

Ontem fui ao Pão de Açúcar (o supermercado, não o morro) e, passando pela seção de cervejas, quase precisei fazer uso de um providencial desfibrilador disponível na loja. Explico. Venham comigo.

A famosa (e, por que não dizer, famigerada) ex-microcervejaria Baden Baden (de "micro" não tem mais nada), originária de Campos do Jordão, resolveu enveredar pela senda das cervejas "fortes bagarai" e começou a produzir uma cerveja do estilo Tripel. Até aí nada de mais, pois há anos eles produzem cervejas do tipo Red Ale, Stout, Bock, Bitter Ale, e outras cervejas diferenciadas com uma qualidade razoavelmente boa e um preço um tanto mais salgado que as avapiati, loks, acitcratna e amharb da vida, mas até justificável.

O problema, amável leitorada, e sem entrar no mérito da qualidade dessa Tripel daqui da Banânia, é o diabo do preço!


ORA, PORRA!!! CENTO E QUARENTA E QUATRO LASCAS E NOVENTA CENTILASCAS! PUTA QUE ME PARIU DE RODA TENTANDO ATRAVESSAR A RADIAL LESTE ÀS SEIS DA TARDE E ESCORREGANDO NUMA CASCA DE BANANA NANICA!

"Foda-se irmão, estás curado!"
O que me causa um desgraçamento insopitável de cabeça é que jamais vou entender essa vontade dos produtores nacionais (seja do que for) de atribuir preços irreais aos seus produtos supostamente premium, diferenciados ou que levam uma fitinha amarela amarrada no pinto. Definitivamente a Baden-Baden resolveu seguir pedissequamente os eno-predadores da Serra Gaúcha, tacando o dedo no famoso botão do foda-se com fé, força e foco. A filosofia é: "algum otário vai pagar". E o pior é que não estão errados. Não existiria malandro se não nascesse um otário a cada segundo.

Por sua Tripel, a Baden Baden está cobrando de DUAS A TRÊS VEZES mais do que uma cerveja do mesmo estilo estilo produzida pelos pais da matéria, ou seja, os belgas, franceses e holandeses. O senso de proporções foi com passagem só de ida para as picas. Querem ver? No mesmo Pão de Açúcar (desta vez em outra loja, a "número um", na Brigadeiro Luiz Antônio), olha quanto cobram por uma Tripel francesa:


PORRA, PORRA, MIL VEZES PORRA! A Baden-Baden cobra por sua Tripel, no Brasil, sem imposto de importação, 100 lascas a mais do que uma Tripel produzida num país que, no mínimo, tem séculos de tradição à frente! E a coisa só piora. Sabem quanto custa essa mesma cerveja francesa numa loja online lá da França? MENOS DE 5 EUROS!!!


Noutra loja online, desta vez brasileira, vejam quanto custa uma Tripel da Bélgica, um dos berços desse estilo:


Então, meus caros, estou muito tentado a crer que a denominação "Tripel" para essa cerveja tem a ver com o preço: custa o TRIPLO das mesmas cervejas importadas.

* * *

Uns 40 anos atrás, o inenarrável Sílvio Brito fez algumas canções cujos refrões podem ser entoados hoje em dia com toda propriedade quando se trata do estelionato predatório dos produtores brasileiros de vinhos, cervejas e que tais:

Tá todo mundo louco, oba! Tá todo mundo louco, oba!

ou 

Tá tudo errado, oh, oh! Tá tudo errado! (de "Pare o mundo que eu quero descer").