quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Hamburgueria nova: THE FLAMES - Burger and Smoked Stuff


Salve, povo do bom vinho e da boa comida!

Hoje tem artigo atrasado (um pouquinho), mas jamais sonegado, e hoje o papo é sobre comida, mais precisamente os meus amados hambúrgueres (e suas circunstâncias).

No frio e chuvoso fim de noite paulistano da última sexta-feira, 19 de agosto, namorada e eu visitamos uma novíssima hamburgueria na Vila Mariana: THE FLAMES - BURGER AND SMOKED STUFF (https://www.facebook.com/theflamessp, Rua Pirapora, 218), inaugurada em 14 de julho.


Entramos nessa casa de esquina, com decoração que mistura conforto com rusticidade e toques de diner americano década de 50 (y'know, chão xadrez, e coisa e tal). A casa estava vazia (seguramente pelo frio). Sentamos e fomos prontamente (e bem) atendidos - mesmo pertinho da hora de fechar, o que anda raro hoje em dia.



Eu (segundo a partir da esquerda) e a equipe do The Flames
(Foto: Denise S. Loureiro)

Começamos bem. Cardápio enxuto, aliando simplicidade clássica e criatividade (são 5 entradas, das quais cinco que eu nunca havia visto, e 6 tipos de hambúrguer), além das clássicas opções do menu infantil (não podia faltar o Mac'n'Cheese), a preços honestíssimos.

Os comes

Os comes
O cardápio já apresenta de cara a proposta da casa, que me agradou muito. A leitura já dá água na boca:
"Aqui o conceito é carne e fogo e nossos pratos são pensados e produzidos artesanalmente, conferindo um sabor inigualável. Nosso hambúrguer é caseiro de 160 gramas, feito com ponta de peito maturada e carnes nobres assado na brasa. Os queijos são artesanais de leite cru maturado por até 4 anos, produzidos no interior de São Paulo e Minas Gerais. As carnes de porco são marinadas por 15 dias e defumadas lentamente com madeira e carvão por 12 horas. E nosso pão é confeccionado na casa todos os dias."
Realmente não é papo de marketing. Tudo isso pode ser comprovado à primeira mordida. It's goodness to the last bite.

Abrimos os trabalhos com uma porção de coxinha de porco defumado (4 unidades, R$ 19,00).

Coxinha de porco defumado (Foto: Denise S. Loureiro)
Este exemplar digno das melhores comidas de boteco de São Paulo "e adjacências limitrófes (sic)" é uma pérola para o paladar. Massa de batata assada com alho e alecrim (ambos claríssimos), com recheio de paleta de porco curada e defumada. Os sabores são extremamente harmônicos, com o alecrim da massa se destacando. O defumado da paleta de porco não se sobressai em relação ao sabor suave da paleta, estabelecendo um diálogo gustativo perfeito. As coxinhas vêm à mesa sobre um molho de base que aporta um agradável toque cítrico, enriquecendo a gama de sabores do prato. O molho barbecue que acompanha as coxinhas é um capítulo à parte, digníssimo de nota: abacaxi, pimenta-da-Jamaica, cravo, açúcar mascavo e carvão vegetal (!!!), tudo cozido lentamente ao longo de 12 horas, formam um dos conjuntos mais potentes e saborosos que já tive a oportunidade de provar em termos de molho Barbecue.

Coxinha de porco defumado e molho barbecue
da casa: um conjunto gustativo perfeito!
(Foto: Denise S. Loureiro)
Em seguida, a atenciosíssima equipe de serviço nos brindou com uma amostra do brisket (peito bovino) da casa, que havia acabado de ser preparado e ainda não havia passado pelo processo de defumação. Foi uma experiência das mais agradáveis. Uma explosão de sabores intensos. Carne no ponto certo, desmanchando, mas com textura al dente. Estava tão bom que até esquecemos de tirar a foto. Fico devendo aos amáveis leitores.

Prosseguindo os trabalhos, pedimos nossos hambúrgueres. Eu pedi o Pork Lovers (R$ 32,00), que consiste em brioche assado na casa, rúcula selvagem, picles de cebola roxa, spalla cotta (presunto artesanal curado e defumado), bacon caseiro marinado e defumado, queijo Serrano (meia cura) maturado, e hambúrguer na brasa. Amáveis leitores, pensem numa sinfonia de sabores, com cada ingrediente brilhando à sua maneira. Hambúrguer bovino e carne de porco se complementam na mordida, em temperatura perfeita, escoltados pela rúcula e pelo bacon crocantes, que aportam um belo contraste de texturas. Os picles marcam sua presença a cada segundo da degustação, enquanto o queijo (a minha primeira mordida foi nele) aporta uma pungência agradabilíssima. Voltando às carnes, a persistência de sabor do hambúrguer bovino (costela e peito) faz o "contrabaixo" para que os outros ingredientes façam seus "solos". Um poema, amáveis leitores, simplesmente um poema!

Pork Lovers: uma sinfonia suíno-bovina ao paladar
(Foto: Denise S. Loureiro)
A namorada, moça bonita demais da conta e um dos paladares mais refinados que já conheci, preferiu ir às raízes e pediu o hambúrguer básico da casa, o Elementar (R$ 25,00). Um truque para saber se a hamburgueria é boa: peça o hambúrguer básico. Nesse quesito, The Flames ganhou nota dez com louvor e distinção. Brioche da casa, cebola caramelizada ao vinagre balsâmico, queijo Serrano e hambúrguer na brasa). Básico e perfeito, seguindo a regra do "menos é mais". Pena que deste hambúrguer eu vou ficar devendo a foto.

Após os hambúrgueres, "encerramos a composição" com a sobremesa, também um primor de simplicidade e perfeição. Trata-se do Pudim (R$ 12,00), de leite condensado. Até aí, nada de mais, exceto pelo fato de que o pudim leva um toque de cumaru na medida certa. Para quem não sabe, o cumaru é uma fruta da Amazônia, conhecida como a "baunilha brasileira". O que chamou a atenção no pudim foi, mais uma vez, o equilíbrio de sabores e, o mais importante, não estava excessivamente doce. Aliás, esse excesso de açúcar é um pecado nas sobremesas de muitos restaurantes até de renome, que o The Flames não comete.

Pudim de leite condensado com cumaru (Foto: Denise S. Loureiro)

Os bebes

Os bebes

Na seção de bebidas do cardápio, o destaque vai para cervejas de pequenas cervejarias, em vários estilos (Pilsen, Pale Ale, Weissbier, Lager orgânica, India Pale Ale, American Pale Ale, Russian Imperial Stout, e Altbier), além da mais prosaica (e refrescantes) Heineken.

Para acompanhar os comes, e aproveitando o friozinho de fim de noite, pedi um cerveja chamada Remorso - Russian Imperial Stout (500 ml, R$ 28,00), 9% a.b.v., mas não se perca o amável leitor pelo nome. Não bateu remorso algum, muito pelo contrário. Esta cerveja, produzida em Minas Gerais pela cervejaria Krug Bier, apresenta espuma bege cremosa e o líquido é negro brilhante. No nariz, predomina até o final o aroma daquelas balinhas de café. Na boca, café forte torrado, com amargor e álcool presentes como em um brandy. Lembra bastante uma Áustria Dunkel mais forte, só que sem aquele aspecto de uma Russian Imperial Stout de 4 ou 5 estrelas. Sendo bastante chato e técnico, eu a classificaria como uma Dry Stout mais alcoólica. Seja como for, acompanhou perfeitamente o aperitivo e o hambúrguer, sem que o característico amargor atrapalhasse.

Remorso Russian Imperial Stout (Foto: Denise S. Loureiro)

A carta de bebidas prossegue com as tradicionais caipirinhas: de cachaças especiais, de vodca (Absolut e Smirnoff) e de saquê, todas na faixa de R$20,00 a R$ 25,00.

Os uísques disponíveis na casa são o Johnny Walker (Red Label e Black Label) e Jack Daniels.

A seção de drinques e coquetéis é bastante clássica: Aperol Spritz, Gin Tônica, Mojito, Negroni, Bloody Mary, Margarita e a criação da casa, "The Flames" (Bourbon, angostura, bitter, açúcar, tônica e Campari). Há uma opção sem álcool, a Lemonade (xarope de frutas vermelhas, água com gás e suco de limão siciliano).

Last but not least, devo comentar sobre a carta de vinhos (afinal, pombas!, este é ou não é um blog sobre vinhos?). A carta é enxuta e básica, na qual imperam representantes do Chile e da Argentina. Um detalhe interessante: a casa oferece apenas meias-garrafas (375 ml) e piccoli (187 ml). Outro detalhe interessante: os preços não são abusivos, mantendo uma semelhança bastante próxima com os preços praticados por importadoras.

No momento em que escrevo aos amáveis leitores, as opções de vinhos que o The Flames oferece são as seguintes:

Espumante:
Chandon Brut 187 ml (Chandon - Brasil), R$ 34,00

Tintos (meia-garrafa):
Catena Malbec (Catena Zapata - Argentina), R$ 59,00
Montes Cabernet Sauvignon (Viña Montes - Chile), R$ 56,00
Carmen Classic Carménère (Viña Carmen - Chile), R$ 46,00

Brancos (meia-garrafa):
D'Alamel Sauvignon Blanc (Casa Lapostolle - Chile), R$ 47,00
Carmen Classic Chardonnay (Viña Carmen - Chile), R$ 47,00

Tintos (piccolo):
Álamos Malbec (Catena Zapata - Argentina) - R$ 25,00
Carmen Classic Merlot (Viña Carmen - Chile), R$ 23,00
Carmen Classic Cabernet Sauvignon (Viña Carmen - Chile), R$ 23,00

Eu diria que a casa resolveu apostar nos "favoritos do público", vinhos honestos, acessíveis e fáceis de beber, mas seria interessante que houvesse mais uma ou duas opções um pouco mais "ousadas" para quem busca uma boa harmonização entre hambúrgueres e vinhos. Aliás, harmonização entre vinho e hambúrguer será o tema de um artigo que pretendo publicar em breve, e pretendo fazer uma reunião de harmonização exatamente no The Flames daqui a algum tempo.

Resumo

Será um crime se o amável leitor não dedicar algumas boas horas para conhecer essa nova hamburgueria incrustada na parte nobre da Vila Mariana (perto da rua Curitiba, rua Joinville...), coladinha à Av. 23 de Maio no sentido bairro. Proposta simples e qualidade muito superior a muita hamburgueria famosinha e com "75 processos de produção de hambúrguer) que existe pela aí. Ah, sim: No final da "festa", pagamos módicos R$125,00. Um a relação custo vs. benefício impressionante. RECOMENDADÍSSIMA!

Detalhe: os créditos das fotos vão para a namorada, que também é ótima fotógrafa!

Serviço:
The Flames - Burger and Smoked Stuff
R. Pirapora, 218 - Vila Mariana

Saúde!

Um comentário:

  1. Excelente artigo, meu excelentíssimo namorado! <3 Quando voltaremos? rs

    ResponderExcluir