sábado, 25 de março de 2017

O gelado encanto do Eiswein

No inverno do hemisfério norte, a temperatura que cai vários graus abaixo e a madrugada são os ingredientes fundamentais para obter um dos tipos de vinho doce mais fascinantes.

Os Eiswein, ice wines ou vinhos de gelo, não são comuns nas nossas mesas brasileiras, e raramente entram nas cartas dos wine bars. Eles são uma especialidade de nicho que devem ser descobertos e servidos com aperitivos, pratos intensos ou sobremesas, caso se queira propor uma experiência de degustação distante do habitual. Esses vinhos nascem nas terras em que o clima de inverno permite que os cachos deixados na videira se congelem. Na Áustria, na Alemanha e no Canadá concentra-se a maior parte da produção. Está exatamente no rigorosíssimo frio que congela as videiras nessas latitudes o segredo do aroma e da acidez extraordinários desses vinhos doces. O ritual da colheita ocorre muito depois da meia-noite, quando o termômetro marca pelo menos -8°C. Pouco depois, os cachos, congelados por dentro, são levados à prensagem para dar origem a um néctar puríssimo que conserva todas as características e os aromas das uvas. A Riesling, a Vidal e a Cabernet Franc são as variedades que mais se prestam a dar vida aos vinhos de gelo, sendo as mais utilizadas.


Extremamente doces, intensos e elegantes, os Eiswein encantam com seu espectro aromático, que vai de notas de mel até o damasco; de notas cítricas e exóticas a notas minerais; da baunilha ao pão recém-saído do forno. A doçura é contrabalançada por uma acidez vibrante: um gole desse vinho é extremamente profundo e de um frescor inigualável. Nas prateleiras das enotecas, encontram-se poucos exemplares e, quando se encontram, o custo não é exatamente acessível a qualquer bolso, pois são vinhos “radicais” e preciosos. A produção é limitada, pois depende inclusive de condições climáticas que não se apresentam todos os anos. Porém, o consumidor se esquecerá rápido do preço quando o vinho encontrar a taça: a degustação se paga, e como se paga. São vinhos versáteis, adequados a qualquer estação do ano, que s harmonizam com pratos de verão e de inverno. A harmonização ideal é com queijos, com pratos à base de queijo e com doces, sejam eles secos ou cremosos.


Neste artigo, indico alguns rótulos que não podem faltar na adega. Recomendo ficar de olho nas lojas on-line do exterior, onde é mais fácil encontra-los, ou garimpar nas importadoras. Não devemos esquecer que os Eiswein são servidos resfriados entre 8°C e 12°C.

2008 Inniskillin Niagara Peninsula Riesling Icewine

Para degustar com queijos de ovelha (por exemplo, o pecorino) maturados e até mesmo frescos, acompanhados por frutas frescas como kiwi, compotas de fruta, tapas com queijos azuis, foie gras, entradas fusion com sabores asiáticos, mas também com cheesecake, recomendo estes rótulos:
  • Mosel Wehlener Sonnenuhr Riesling Eiswein 2007 (Dr. Loosen);
  • Riesling Eiswein 2012 (Philipps Eckstein);
  • Juris Icewine 2012;
  • 2008 Inniskillin Niagara Peninsula Riesling Icewine;
  • Eiswein Cuvèe Ice Wine 2012 (Kracher);
  • ET Eiswein 2012 (Ernst Triebaumer).

Vidal Icewine 2014 (Jackson Triggs)

Para acompanhar assados, peru recheado, pernil de porco glaceado, salmão, tortas de mirtilo, além de ser uma boa alternativa para as Festas de fim-de-ano:
  • Vidal Icewine 2014 (Jackson Triggs);
  • Vidal Blanc Icewine 2013 (Hunt County Vineyards);
  • Vidal Icewine 2014 (Trius Winery);
  • 2013 Reserve Vidal Icewine (Pillitteri Estates Winery);
  • Peller Estates Signature Series 2010 Cabernet Franc Icewine.

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